| Falando
em Câmara Especializada... e a Engenharia de Segurança
do Trabalho no Rio Grande do Sul !
O artigo publicado
na coluna dos GTS do CREA-RS, Revista nº65 de janeiro de 2010:
"A Câmara Especializada em Engenharia de Segurança
do Trabalho", tratou de um tema que me transportou há
mais de 20 anos atrás, mais precisamente a 1987, quando na
Plenária de encerramento do 4º COBES - Congresso Brasileiro
de Engenharia de Segurança, realizado aqui em Porto Alegre,
entre as Conclusões aprovadas destacamos, nos Anais do 4º
COBES, à pág 19, 1987 - Item 6:
"Que sejam
realizadas gestões no sentido de acelerar o processo de fixação
das atribuições profissionais dos engenheiros de segurança
do trabalho, e normas para assegurar sua atuação e
a respectiva fiscalização, mediante as necessárias
resoluções do CONFEA e CREA regionais."
Entre as Moções
Técnicas - Anais do 4º COBES, à pág 17
encontra-se a Moção nº 2:
"ATUAÇÃO
DE ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO TRABALHO:
2.1 - Formação de Núcleos Regionais e Atuação
nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.
A partir do estabelecimento das atribuições profissionais
do engenheiro de segurança do trabalho, será necessária
a criação de núcleos a nível dos CREA
regionais, para implementação de uma fiscalização
efetiva e para tratar da representatividade junto das Câmaras
deliberativas do exercício profissional."
Com a outorga
desta Plenária, a Comissão Organizadora buscou junto
ao CREA-RS o espaço que necessitávamos para exercer
a nossa profissão dentro do sistema CONFEA-CREA. Foi quando
soubemos que todas as tentativas anteriores existentes de reunir
os engenheiros de segurança aqui no Estado, não representavam
o "embrião" necessário para o pleito da
referida Câmara.
Para criarmos
a Câmara especializada, era necessária a existência
de uma Associação da categoria por um período
estabelecido, devidamente registrada e atuante. Foi no Plenário
das Câmaras Especializadas do CREA-RS, na noite de 28 de setembro
de 1988, que fundamos, juntamente com mais 60 engenheiros de segurança,
a nossa Associação Sul-Rio-Grandense de Engenharia
de Segurança do Trabalho - ARES, que hoje goza de saúde
plena, com a pujança de quem já atingiu sua maior
idade.
Entre tantos presentes naquela noite, recordamos alguns colegas
nesta foto, o Eng.º Helécio Dutra - atual Conselheiro
do CREA, o ex-Presidente Eng.º Elton Bortoncello - autor desta
matéria e o atual Presidente da ARES, Prof.Eng.ºHamilton
Vilela.
As atribuições
do engenheiro de segurança do trabalho são amplas,
mas a realidade encontrada nos ambientes de trabalho e nos seus
processos produtivos, faz com que cada um desenvolva e aprofunde
seu conhecimento em determinada área. Hoje temos vários
exemplos de colegas que são referência profissional
em determinada área de trabalho entre as atribuições
legais, previstas na resolução do sistema CONFEA/CREA
nº 359 de 31 de julho de 1991.
A diversidade existente entre os processos de trabalho e o enfoque
da atuação na engenharia de segurança nestas
condições variadas, demonstra que se trata de uma
nova modalidade de engenharia, apesar de ainda estar exclusivamente
em nível de especialização.
A legislação
técnica relativa à Engenharia de Segurança
e Medicina do Trabalho faz com que sejamos entendidos em leis trabalhistas
e previdenciárias, que busquemos conhecer melhor algumas
áreas da Medicina e da Psicologia, para que assim consigamos
levar nosso trabalho com resultados satisfatórios.
A análise
e o melhoramento dos processos de trabalho é tarefa básica
para o engenheiro de segurança, considerando sua capacidade
de identificar, mitigar e até mesmo eliminar os riscos existentes.
Nosso trabalho deve ser em nível de equipe multidisciplinar,
onde cada área de formação contribui com seu
conhecimento, permitindo atingir uma massa crítica capaz
de avaliar as condições ambientais de trabalho, envolvendo
inclusive os aspectos organizacionais e as condições
de saúde dos trabalhadores expostos, através do monitoramento
biológico, propondo ações conjuntas para a
obtenção de melhores resultados no processo produtivo.
Minha experiência
de mais de 30 anos atuando como engenheiro de segurança nas
diversas áreas de produção, desde a construção
civil pesada, na Indústria de Alimentação e
Metalúrgica, assim como na área de TIC - Tecnologia
da Informação e Comunicação comprovou-me
que independente da atividade, precisamos conhecer os processos
produtivos onde atuamos, independentemente da nossa área
de formação básica! Ao contrário do
que alguns defenderam no passado, de que o engenheiro de segurança
somente poderia atuar em sua área de formação
básica em engenharia.
Anos de trabalho,
nos permitiram inferir nos processos de gestão das empresas,
atuando em nível gerencial, informando-os e complementado
seus conhecimentos, nos aspectos relativos à prevenção
dos acidentes ou na implantação de normas de segurança
do trabalho, como base para um projeto maior de Qualidade, através
de um processo educacional dos trabalhadores, chefes e supervisores
de produção, obtendo excelentes resultados na Produtividade.
O profissional
da Engenharia de Segurança do Trabalho para inferir no processo
produtivo, mitigando os riscos e buscando otimizar os processos
de produção, deve exercer uma postura ética
com exemplar disciplina e deter o conhecimento dos processos de
trabalho, aliando a tudo isto muito bom senso, pois trata-se de
negociar soluções de conciliação e ter
na missão a adequação do trabalho ao ser humano,
possibilitando melhores resultados empresariais.
A evolução
do conhecimento, também nesta área, faz com que profissionais
cada vez mais aprofundem conhecimentos dentro dos processos produtivos
em que estão inseridos, fazendo com que tornem-se "especialistas
dentro da especialização". Ex: ergonomistas,
higienistas, engenheiros de incêndio, petroquímica,
transportes de cargas perigosas, peritos, consultores e engenheiros
de segurança vinculados à indústria de transformação,
onde se tornam generalistas pelo nível de complexidade dos
processos.
Inicialmente
foi complexo para os colegas das diversas câmaras especializadas
analisarem e julgarem procedimentos de engenheiros de segurança,
considerando a formação básica de cada um.
Como poderia analisar processos de segurança do trabalho
um engenheiro civil, mesmo na indústria da construção,
se não tivesse o conhecimento necessário da engenharia
de segurança?
Hoje, com a
prática exercida no Rio Grande do Sul, em que os componentes
da Câmara Industrial tratam dos processos de engenharia de
segurança, tornou-se mais complexo ainda para os colegas
engenheiros industriais, pelo conhecimento superficial da engenharia
de segurança, mesmo alguns colegas que cursaram a especialização,
mas não desenvolveram o conhecimento necessário, nesta
área do trabalho.
O padrão de qualidade dos engenheiros de segurança
do trabalho, também no Rio Grande do Sul, evoluiu e muito
nas últimas décadas, não somente pela formação
curricular, que pouco se alterou nestes últimos anos, mas
pela experiência adquirida ao longo destes anos, e pelo alto
nível dos profissionais que optaram por trilhar esta carreira
maravilhosa, que trata de preservar a integridade física
dos nossos semelhantes, mantendo-os saudáveis e com dignidade
no trabalho!
Colegas engenheiros,
dignos conselheiros do CREA-RS, fiz aqui um breve balanço
da engenharia de segurança do trabalho no Rio Grande do Sul,
para que entendam todos aqueles que se colocam contra a criação
desta Câmara Especializada de Engenharia de Segurança
do Trabalho no Estado, de que já estamos atrasados neste
processo, contrariando a nossa própria história de
pioneiros no Brasil. Hoje, outros tantos estados já constituíram
suas Câmaras Especializadas em Engenharia de Segurança
do Trabalho!
Precisamos de
uma Câmara Especializada em Engenharia de Segurança
onde os engenheiros componentes sejam especialistas em segurança
com destacada experiência profissional, de ilibada atuação
em sua carreira e digno conhecedor do mundo do trabalho e dos aspectos
diversos que envolvem a engenharia de segurança.
O direito de termos nossas atividades avaliadas por profissionais
com o mesmo ou maior nível de conhecimento adquirido na vida
profissional, que vivem ou vivenciaram esta profissão, é
uma questão de Equidade!
Precisamos agora,
não mais de uma câmara, mas da melhor Câmara
de Engenharia de Segurança do País, ajudando-nos recuperar
o tempo na busca do crescimento e aperfeiçoamento desta profissão
tão digna!
Neste processo
ganhamos todos.
Ganha o CREA-RS
que verá ampliar seu quadro social com a adesão de
novos profissionais da área. Com a maior participação
destes profissionais no ambiente do CREA, novos conhecimentos serão
agregados, fortalecendo o nosso Conselho Regional, que poderá
ser muito bem representado, também nesta área da engenharia.
Ganha a sociedade,
que receberá melhores resultados nas ações
e nas propostas relacionadas à Engenharia de Segurança,
com a criação da Câmara Especializada ela será
mais bem atendida e melhor representada nestes assuntos.
E finalmente,
ganham os profissionais engenheiros de segurança, que após
30 anos de atuação na sociedade gaúcha, com
inúmeros trabalhos prestados, serão finalmente reconhecidos
pelo nosso Conselho Regional.
A constituição
da Câmara Especializada de Engenharia de Segurança
junto ao CREA-RS é uma questão de Equidade! Ela representa
o fechamento de um ciclo que iniciou há 30 anos atrás
e também o início de um novo ciclo, que deverá
qualificar cada vez mais as contribuições da Engenharia
de Segurança às diversas atividades produtivas no
Rio Grande do Sul!
Porto Alegre, fevereiro de 2010.
Roney Arnaldo
Bittencourt
Engenheiro Civil e de Segurança do Trabalho
Presidente do 4º COBES
1º Presidente e atual Membro do Conselho Consultivo da ARES
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